A mídia mudou e os releases precisam mudar também.

Em meio a uma comunicação fragmentada e adaptável, a atualização contínua dos assessores e RP é a única moeda de valor.

Por muito tempo, o kit de imprensa e o release bem escrito foram as ferramentas supremas da assessoria de comunicação. Eram documentos quase sagrados, enviados para uma lista de jornalistas em veículos consolidados. Essa era, no entanto, ficou para trás. A mídia contemporânea é um organismo vivo, pulsante e multifacetado, que exige muito mais do que um texto bem-redigido. Exige relacionamento, contexto e, acima de tudo, adaptação.

A pergunta que todo assessor e profissional de RP deve se fazer é: enquanto a mídia se transformou radicalmente, com o surgimento de influenciadores, podcasts, newsletters especializadas e redações enxutas, a nossa forma de trabalhar acompanhou essa evolução? A mídia é um ecossistema, não um canal.

O jornal de grande circulação e a revista semanal já não são os únicos formadores de opinião. Hoje, um perfil no LinkedIn pode ter mais credibilidade que uma coluna tradicional. Um podcast nichado alcança um público mais engajado que muitos programas de rádio. E um blog especializado pode despertar o interesse de um jornalista de um veículo massivo.

Ignorar essa pluralidade é como pescar em um aquário fechado, quando o oceano está cheio de oportunidades. O release genérico, “espalhado” para uma lista massiva de contatos, tornou-se ruído. O que vale agora é a curadoria. É entender profundamente o perfil de cada veículo, de cada jornalista, de cada criador de conteúdo, e oferecer a ele uma pauta sob medida, que ressoe com seus interesses e com o seu público.

Nesse contexto, o relacionamento se torna matéria-prima. Fazer novos relacionamentos deixa de ser uma atividade complementar e passa a ser a espinha dorsal do trabalho de assessores e RP. Não se constrói um relacionamento genuíno apenas com um e-mail bem-intencionado. É preciso estar presente. 

A participação em eventos presenciais — sejam eles congressos do setor, encontros de mídia, workshops ou até mesmo happy hours — é insubstituível. É no olho no olho que se constrói a confiança, que se compreende as dores do jornalista e que se captam as tendências que ainda não viraram manchete. Um assessor que não circula, não conversa e não se faz presente é  como desaparecer do radar.

Alguns pontos a destacar:

Atualizar-se é sobreviver e prosperar: A atualização profissional vai além de aprender a usar uma nova ferramenta de monitoramento, significa dominar novas linguagens: Saber como pitchar uma ideia para um story do Instagram é diferente de escrever um release. Entender a dinâmica de um podcast é o minimo para oferecer um entrevistado que funcione em áudio. 

Compreender os dados: A comunicação moderna é pautada por resultados. Saber medir o impacto de uma matéria, entender o engajamento e traduzir isso em valor para o cliente é uma competência obrigatória.

Antecipar tendências: Estar atento aos movimentos da mídia, ao surgimento de novos veículos e à mudança de interesses do público permite que o assessor seja proativo, sugerindo pautas antes que elas se tornem óbvias.

O novo release é uma experiência, não um anexo: O release do futuro — que, na verdade, é o do presente — não é um documento de texto. É uma experiência. Pode ser um portfólio digital com imagens em alta resolução, vídeos depoimentos, infográficos e links para dados exclusivos. Pode ser um convite para uma experiência imersiva ou um acesso antecipado a um produto.

O cerne da questão é que a função do assessor se ampliou. De um “distribuidor de notícias”, ele se tornou um estrategista de relacionamentos e um consultor de conteúdo. Sua capacidade de se conectar com pessoas e de entender as nuances da nova mídia é o que vai garantir que a mensagem do seu cliente não apenas chegue ao destino, mas cause o impacto desejado.

A mídia mudou. E nós, comunicadores, somos os primeiros que precisamos evoluir com ela. A hora de sair da  zona de conforto, participar de eventos, ampliar a rede de contatos e repensar ferramentas é agora. O sucesso da sua comunicação depende disso.