Essa adição parece simples quanto um mais um, mas a verdade é que nunca foi fácil falar de relacionamento entre as redações dos veículos de imprensa e assessores. Mas afinal, por que um veículo precisa desse relacionamento, como isso ajuda ou interfere no fechamento de pautas. As respostas parecem óbvias e simples em uma rápida busca, só que não. Para buscarmos aprofundar sobre essas respostas, colocamos esse assunto em debate no SUMMIT PRESS OFFICER 2024 que aconteceu no Memorial da América Latina em São Paulo e no auditório da ABI no Rio de Janeiro.
Hoje, alguns concordando outros não, o papel de um assessor vai muito além dos conceitos óbvios que aprendemos. O mercado da comunicação precisa aprofundar mais sobre o papel e importância de um assessor de imprensa e respeitar o trabalho que está cada dia mais desvalorizado, É por ele que passam todas as informações entre instituições, marcas, produtos, empresários, personalidades, atletas, artistas e a lista segue imensa. A ele cabe a responsabilidade de definir o que é notícia ou não.
O relacionamento entre veículos e assessores desempenha tem um papel importante no fortalecimento da qualidade da informação e na mitigação de problemas que afetam a desinformação conhecida como fake news, a saturação de conteúdos sobre violência e a falta de diversidade nas narrativas. Vamos juntos fazer uma pequena análise sobre essa relação, amparado em dados de pesquisas e estudos importantes que destacam os benefícios dessa colaboração para o jornalismo e para a sociedade. Vamos pontuar alguns itens.
O impacto das fake news e a necessidade do relacionamento com assessores de imprensa.
De acordo com o relatório Digital News Report 2023, do Reuters Institute, cerca de 56% dos consumidores globais de notícias demonstram preocupação com a desinformação online. Esse dado revela a amplitude do problema das fake news e a necessidade de iniciativas conjuntas para enfrentá-lo. Nesse cenário, assessores de imprensa atuam como curadores de informações verificadas e confiáveis, fornecendo aos veículos de comunicação dados embasados, fontes qualificadas e declarações precisas.
Um estudo publicado pela International Journal of Communication (2021) reforça que parcerias entre os veículos de imprensa e assessores são fundamentais para reduzir a propagação de notícias falsas. Ao trabalharem juntos, ambos os lados podem criar um ambiente de verificação mais robusto, evitando que informações distorcidas cheguem ao público. Essa sinergia contribui para restaurar a confiança nas instituições jornalísticas e reduzir os impactos negativos da desinformação. O profissional de assessoria de imprensa é um jornalista que presta serviço como canal de notícias e sua principal atividade é transmitir com ética profissional as informações necessárias e colaborar com o jornalismo ético, responsável e tem o seu papel importante no combate às fake News.
A importância do assessor de imprensa na diversificação de narrativas e redução de conteúdo massivo sobre violência.
A cobertura da mídia frequentemente prioriza conteúdos sobre violência ou sensacionalismo, atraídos pela demanda de audiência. No entanto, pesquisas como a realizada pelo Pew Research Center (2022) mostram que 72% dos consumidores preferem notícias que explicam o contexto e ofereçam soluções, em vez de apenas retratar problemas. Nesse caso os assessores de imprensa muito têm a contribuir para direcionarem pautas que incluem histórias positivas, análises aprofundadas e exemplos de superação.
Já no Brasil não teve o feedback do tipo de notícia, mas foi feita uma pesquisa para saber como os brasileiros se relacionam com a TV e outros dispositivos em janeiro de 2023 e a Hibou – empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo, conduziu a pesquisa “Audiência – O que o brasileiro assiste e por quê”. A pesquisa identificou que 59% dos brasileiros gostam de acompanhar os telejornais para se manterem informados.
A colaboração entre veículos e assessorias permite ampliar o escopo das narrativas, destacando aspectos construtivos e representativos. Um exemplo prático é o projeto “Solutions Journalism Network”, que incentiva o jornalismo de soluções e tem demonstrado como uma abordagem mais equilibrada pode gerar engajamento positivo e impacto social significativo. Um exemplo bem fundamentado para esse conteúdo é a geração Z, que tem o seu principal engajamento em conteúdos positivos, diversidades, ESG, meio ambiente e sustentabilidade. É a geração que mais faz engajamento e são conectados aos produtos e marcas que conversam com esses temas de forma criativa e positiva.
Nas edições do Summit Press Officer 2024 que aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve várias participações de assessores de outros estados. Alguns depoimentos dados nos eventos, são comuns a todas as regiões, como por exemplo as sugestões de pautas culturais, eventos nas comunidades e pautas educativas, são totalmente ignoradas pela maioria dos veículos de imprensa. Na visão desses assessores, a grande maioria desses veículos atende apenas aos seus acordos e interesses comerciais. Sim, os assessores têm a compreensão de que a publicidade sustenta os veículos, mas é necessário espaço para os assuntos culturais e educativos das comunidades. Há uma necessidade urgente de um diálogo aprofundado sobre isso.
Criação de novos conteúdos e novas linhas editoriais a partir das narrativas e sugestões de pautas enviadas pelos assessores de imprensa.
O relacionamento com os assessores também fomenta a inovação e a qualidade na produção de conteúdos. Assessores podem fornecer insights estratégicos importantes, conectando jornalistas a especialistas e tendências emergentes em diversas áreas. Isso enriquece as reportagens e diversifica o portfólio de temas abordados pelos veículos.
Um estudo da Universidade de Columbia (2020) apontou que redações que mantêm uma relação próxima e colaborativa com assessorias conseguem produzir reportagens mais aprofundadas e equilibradas, com maior apelo para audiências qualificadas. Além disso, essa colaboração otimiza o tempo e os recursos das redações, que frequentemente operam com equipes reduzidas.
O enxugamento das redações, o trabalho em home office, a redução do conteúdo, a renovação constante dos jornalistas, entre outros, são ocorrências comuns nos tempos atuais. Com isso, pela falta de tempo, as redações cada vez menos abrem e-mails com as sugestões de pautas enviadas pelos assessores de imprensa. Um ótimo canal de comunicação entre redação e assessores, é o WhatsApp, mas infelizmente pela enorme quantidade de mensagens recebidas, poucos conseguem tempo para visualizar e responder, o que torna essa opção ineficaz. Tudo isso torna mais difícil criar ou quase impossível promover e fortalecer a cultura de relacionamento entre os assessores e as redações. Tempos atrás, os assessores visitavam as redações, hoje infelizmente alguns veículos proíbem as visitas e até o famoso “cafezinho” foi cortado.
A dor dos assessores hoje
A relação entre veículos de imprensa e assessores é mais do que uma troca de informações: é uma parceria estratégica que pode transformar o panorama atual. Ao fortalecer mecanismos de verificação, diversificar narrativas e promover conteúdos relevantes, também contribui para a construção de uma mídia mais ética, confiável e alinhada às demandas da sociedade contemporânea. Para maximizar os benefícios é essencial que ambas as partes adotem práticas transparentes, priorizem a ética profissional e mantenham um diálogo constante e construtivo.
Os assessores de imprensa podem fornecer dados e pesquisas relevantes, oferecendo contexto para matérias, tirando um pouco o foco da violência em si, oferecendo especialistas para pautas positivas e construtivas. Ao apresentar especialistas ou estudos sobre prevenção, educação, cultura, assuntos das comunidades, políticas públicas e histórias de superação, eles ajudam a ampliar o debate e a promover uma cobertura mais construtiva.
Há uma necessidade de uma reflexão sobre o quanto a notícia de um crime ou violência ser mais importante ou ocupar mais espaço que uma notícia positiva. Ao estabelecer um diálogo aberto e transparente, os assessores podem ajudar a destacar aspectos mais positivos e construtivos das notícias e uma cobertura com mais diversificação de conteúdo.
A pressão por audiência e cliques podem levar os veículos a priorizarem o sensacionalismo e as notícias negativas. No entanto, com um trabalho conjunto entre assessores e jornalistas é possível promover uma mudança de foco, incentivando uma cobertura mais equilibrada, com menos notícias sobre crimes e violência. Isso beneficiaria não só o público, mas também a credibilidade dos veículos de comunicação. Um outro fator importante é que essa união pode ser uma ferramenta valiosa no combate às fake news.
Os assessores são também jornalistas, contatos diretos entre as fontes e o repórter. Eles têm em mãos as novidades, informações exclusivas, declarações, os “furos jornalísticos” e isso faz dos assessores de imprensa os “parceiros” ideais para qualquer veículo de imprensa.
Afinal, o que os assessores desejam?
O pesadelo de todo assessor de imprensa é não conseguir falar com a redação e consequentemente não fechar a pauta. Mas, conseguir falar já é uma grande evolução. Os assessores desejam um canal possível para enviar pautas e receber o “sim” ou “não”. O silêncio incomoda muito.
Existe a percepção e consciência que algumas redações que podemos afirmar “são impossíveis”, de fazer algum contato, porque não existe um canal de comunicação possível. O telefone comercial não existe, mesmo porque a grande maioria trabalha em home office. E-mails ficam cada vez mais impossíveis para as redações abrirem, são centenas e milhares e o jornalista tem que escolher entre abrir e-mails ou trabalhar em suas matérias que têm “minuto” limite de entrega. Com os excessos de e-mails, só abrem algum título interessante que chama atenção. O uso do WhatsApp, entendemos que realmente fica inviável para receber e repassar para os repórteres, chefes de pautas, produtores e editores, devido ao volume das mensagens e ainda o follow up, impossibilitando o uso dessa ferramenta. Claro que tem as exceções que funcionam.
É preciso mudanças ou melhorias no cenário atual em que vivem situação crítica profissional nesse momento. Assessores querem e precisam enviar pautas e as redações querem e precisam receber pautas para diversificar seu banco de fontes. Há uma necessidade urgente desse diálogo entre assessores e redações dos veículos de imprensa. Esse relacionamento é de total interesse para ambas as partes.
O Summit Press abre espaço para debater o assunto nos eventos de 2025. Queremos conversar com os veículos para juntos criarmos um canal possível que funcione para uma comunicação efetiva. Ideias por parte dos assessores não faltam, ainda mais hoje com tanta tecnologia. Esse ano de 2025 teremos vários encontros presenciais em algumas capitais por todo Brasil. Nesses encontros o evento vai abordar esse assunto e outros pertinentes para quem envia sugestão pauta e para quem recebe. Estamos todos do mesmo lado e queremos um jornalismo diversificado, preciso e transformador.